(Este post foi feito inicialmente no meu outro blog e publicado em 12/10/2010. Para reunir tudo num só lugar, copiei ele integralmente para este blog.)
Não sou uma crítica de cinema e nem tenho essa pretensão. Também não sou uma profunda conhecedora da sétima arte. Sou uma mera espectadora, que gosta muito de ir no cinema nem que seja sozinha e que o mais próximo que chegou de conhecimentos cinematográficos foi um 9 na cadeira de Cinema I na época de faculdade.

Fui ao cinema ver o tão esperado, pelo menos por mim, “Comer, Rezar, Amar” com a Julia Roberts (garantia de filme bom e boa atuação a meu ver). Li o livro há mais ou menos um ano. Confesso que não morri de amores, achei meio truncado em alguns momentos, mas não posso negar que há passagens maravilhosas que nos fazem pensar. O que achei mais legal no best-seller é que, através da busca de autoconhecimento da autora, somos apresentados a três culturas muito distintas entre si com visões diferentes da vida e que conduzem a reflexões. Mesmo não considerando o livro um dos meus favoritos, estava numa enorme expectativa pelo filme. Além de ter uma identificação com os três destinos escolhidos, estava curiosa para ver como seria a adaptação para a tela.

 Me decepcionei muito com o filme. Não percebi os conflitos pessoais da autora que são a chave para o desenrolar de todo o resto. Me pareceu um filme bastante superficial e a protagonista passa por uma pessoa mimada, que resolve atender aos seus caprichos e embarca na viagem. A delicadeza, a profundidade e a sutileza dos conflitos, tão comuns no universo feminino, que são a marca do livro não encontrei no filme. Certamente é um filme leve, mas o livro fez tanto sucesso exatamente pela sua densidade. Concordo que tudo que eu achei ser importante não caberia em um filme de pouco mais de duas horas, mas acredito que partes muito importantes ficaram de fora. Não é o tipo de filme que nos faz deixar a sala de cinema pensando sobre a nossa vida ou nossas atitudes ao longo da mesma. Eu sei que o filme é sempre diferente do livro, até porque são duas linguagens diferentes. Enquanto o livro mexe com o imaginário, o filme é a materialização e a forma dos acontecimentos. Normalmente os livros são melhores que os filmes que deles se originam, então acredito que manter o traço mercante da obra original é a chave do sucesso das adaptações. Gostei tanto dos filmes “Anjos e demônios” e “O Código DaVinci” quanto dos livros homônimos. Na minha humilde opinião, foi exatamente isso que faltou em “Comer, Rezar, Amar”. A personagem de Julia Roberts ficou muito distante da inquieta autora do livro, Liz. Também sei que cada pessoa vê o filme com a sua visão de mundo e com os seus valores. Para mim e a minha visão de mundo, o filme é superficial e agrada apenas aos olhos, com paisagens exuberantes em Bali, cores da cultura indiana e as peculiaridades de Roma. Gosto é gosto e não se discute. Para mim, este não é um filme que eu recomendaria como imperdível para alguém.
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