Eu tenho uma paixão: adoro comprar livros. Ir em livrarias e ficar olhando aquelas prateleiras com sugestões é uma tentação sem fim pra mim. Não me lembro da última vez em que entrei numa livraria e saí sem um exemplar que seja. Graças a Deus, passei esse gosto para a minha filha e um dos programas favoritos dela é ir na Livraria Cultura para ler no dragão da parte infantil. O problema é o bolso. Saímos de lá sempre com um livro pra mim e outro pra ela.

Nessas minhas perambulações, dei de cara com um livro que chamou a minha atenção. Nunca tinha ouvido falar sobre ele, mas a capa me atraiu e a orelha fez com que eu nem exitasse em levá-lo. O nome? “A Terra tremeu?” Vou contar um pouco mais sobre ele então…

Eva é uma mulher que se casa jovem e tem dois filhos. Ela e Dennis vivem aquele sonho americano (apesar da história se passar na Inglaterra): uma casa no interior, ela dona de casa, ele trabalhador e a vida de comercial de margarina. Mas, aos poucos, Eva percebe que as coisas não vão bem. Um dia, Dennis some e a deixa sozinha com os filhos. Ela precisa reconstruir toda a vida e criar os filhos sozinha. Quando a vida parece que está no rumo certo, Eva conhece Joseph e se apaixona pelo jeito leve e brincalhão com que ele encara a vida. Com medo de um novo casamento, eles vão morar juntos e tem uma filha. Porém, as coisas começam a desandar novamente e eles se separam. Em meio a algumas retomadas, Eva descobre que está novamente grávida. Como tudo fica mais complicado, o casal não volta e Eva se vê sozinha com os 4 filhos. Mas, diferentemente de Dennis, Joseph se interessa pelas crianças e participa, dentro do possível, da vida dos filhos.

Bom, não vou contar mais do livro para não perder a graça, mas esse é uma recomendação com cinco estrelas. Ele é leve e divertido em diversas passagens e é daqueles que a gente não consegue parar de ler. Como eu tenho o hábito (um tanto inusitado, eu admito) de fazer fichas dos livros que leio, resolvi pegar algumas frases para deixar vocês com vontade de ler. Lá no final tem os dados do livro.

“Quase todos os dias, o expediente de Eva no escritório terminava às 16 horas, mas o trabalho não. Às vezes, parecia que o trabalho só acabava quando mergulhava na banheira, às 22h30, com uma taça enorme de vinho tinto na mão.”

“E lá estavam eles: separados, tentando ser educados e bons pais, fingindo ignorar todos os sentimentos difíceis e não resolvidos entre os dois.”

“Por que era tão difícil esquecer Joseph? Essa era a pergunta que ainda a acordava às três da madrugada e prejudicava seu sono.”

“Como duas pessoas podiam se amar tanto, ser tão felizes juntas e deixar tudo acabar desse modo?”

“Mas você não acha que nos comportamos de modo diferente com pessoas diferentes? Algumas pessoas trazem à tona o que há de pior em você, enquanto outras trazem o que há de melhor.”

“Agora, passados três anos sem ele, ela ainda estava se adaptando ao fato. Senta-se contente a maior parte do tempo, quase feliz, mas estaria mentindo se dissesse que não sentia sua falta.”

“Ela, Dennis e seus amigos fúteis realmente sabiam o preço de tudo e o valor de nada. No passado, ela e as crianças possuíram mais do que podiam apreciar. Agora, tinham pouco e apreciavam tudo, inclusive a companhia uns dos outros e a gentileza de seus amigos novos.”

“Havia um deus do sono em algum lugar que exigia uma compensação. Se ficasse acordada e se preocupasse com os problemas de seus filhos no lugar deles, eles podiam dormir o sono dos justos. Esse era o acordo.”

“Ela sentiu uma onda súbita de lágrimas crescer. Sentia orgulho de estar sozinha? Ou era orgulhosa demais para estar sozinha? Ou tão orgulhosa que estava sozinha?

“Ele estava impressionado com ela. Eva trabalhava, cozinhava, decorava, mexia no jardim, estava linda, cuidava muito bem das crianças e fazia tudo isso sozinha.”

“Mas essa não era uma das coisas mais difíceis de serem feitas? Achar um ponto de equilíbrio entre trabalho e família.”

“Nunca é tarde demais, Eva. Quando você tiver chegado à minha idade não vai lamentar o que fez, mas o que não fez.”

“Ser pai, Dennis, é um verbo. É sobre as horas gastas limpando bundas e narizes, ajudando com a lição de casa, ensinando seus filhos a andar, falar, ler, nadar. Assistir a jogos de futebol na chuva e com frio todas as semanas, fazer curativos em joelhos machucados, ler repetidas vezes histórias longas na hora de dormir, ouvir os problemas enormes e tumultuados das amizades. Fazer café da manhã, almoço e janta todos os dias, todas as semanas e convencê-los a comer tudo… E sabe qual é a recompensa por tudo isso? – A voz dela começou a tremer com o esforço. – Sua recompensa são crianças felizes e bem ajustadas que amam você com paixão, mas que também crescem, mudam e começam vidas e famílias próprias.”

“Acho que você só sabe o quanto ama alguém quando tudo acaba.”

“Finais felizes existem ou começos novos felizes. Basta ter um pouco de fé…”

Livro: A Terra tremeu?

Autora: Reid, Carmen

Editora: Bertrand Brasil

Páginas: 389

Preço médio: R$ 39,00

Anúncios