E se você descobrisse que tem um câncer letal e tem no máximo seis meses de vida? Garanto que a maioria diria que passaria o resto do tempo viajando, fazendo festas e curtindo ao máximo os últimos momentos. Pois não foi a escolha de Julius, um terapeuta (não, eu não estou estragando o livro). Ele decide seguir com a sua vida de forma mais normal possível, já que era assim que ele estava acostumado e era assim que ele gostava de viver. Com as reflexões que se passam na sua cabeça após a descoberta, Julius decide escolher um dos ex-pacientes para saber o que aconteceu com ele. Ele escolhe um viciado em sexo que não conseguiu ajudar através da terapia. Para seu espanto, ele está dando palestras sobre psicologia e Schopenhauer. Começa então uma relação conturbada entre os dois, já que Julius quer entender como se deu a cura e Philip precisa de horas de supervisão para poder clinicar. Julius troca as horas de supervisão pela participação de Philip no grupo de terapia que ele coordena.

Se você quer um livro para pensar sobre a vida e com frases que levem à reflexão, A cura de Schopenhauer certamente é uma excelente opção. Conheci o autor, Irvin Yalom, através do livro Quando Nietzsche chorou. Para quem estuda psicologia ou apenas gosta de entender um pouco mais sobre o comportamento humano sem ter o conhecimento específico sobre o tema o autor é uma boa porta de entrada nesse mundo. A história se desenrola facilmente e em diversos trechos o clima de tensão e a curiosidade nos impulsionam a ler “só mais umas páginas antes de dormir”. Como já é tradição, aqui ficam as citações das minhas fichas e lá no final as informações sobre o livro. Boa Leitura!

“Acredito que as pessoas têm no grupo o mesmo comportamento que criou problemas para eles na vida. Acredito também que vão usar o que aprendem dos relacionamentos no grupo, nos relacionamentos fora dele.”

“Grande parte do sofrimento de uma pessoa vem por sentir desejo, realizá-lo, ter um instante de saciedade que logo se transforma em tédio e, por sua vez, é interrompido por outro desejo.”

“Mudar ‘foi assim’ para ‘eu quis assim’ é o que chamo de redenção.’ Entendeu que as palavras de Nietzsche significavam que era preciso escolher a sua vida – ele tinha que usufruí-la ao invés de ser ‘usufruído’ por ela. Em outras palavras, tinha que amar seu destino. E, acima de tudo, havia a pergunta que Zaratustra sempre fazia – se gostaríamos de repetir a mesma vida eternamente. Uma idéia curiosa e, quanto mais Julius pensava nela, mais seguro se sentia: a mensagem de Nietzsche para nós era viver de forma a querer a mesma vida sempre.”

“Ele sempre achou que o melhor da vida ainda estava por ser descoberto e ansiava pelo futuro, quando estaria mais velho, mais inteligente, maior, mais rico. E então veio a revolta, a grande virada, a súbita e dramática desidealização do futuro e o início doloroso e desejar o que já tinha sido.”

“Meu mestre me disse uma vez que ninguém pode ser perturbado por outra pessoa. Só nós podemos perturbar nossa própria serenidade.”

“Nietzsche uma vez disse que, quando acordamos desanimados no meio da noite, os inimigos que derrotamos há muito tempo voltam para nos assustar.”

“Uma das idéias de Schopenhauer que me ajudou – disse Philip – foi que a relativa felicidade tem três origens: o que se é, o que se tem e o que se é para os outros.”

“Vista da juventude, a vida é um longo futuro; a partir da velhice, parece um curto passado.”

“Se você não consegue perdoar, não significa que as coisas não possam ser perdoadas.”

“Imperdoável deixa a responsabilidade fora de você, enquanto não perdoar coloca a responsabilidade em quem não quer perdoar.”

Livro: A Cura de Schopenhauer

Autor: Yalom, Irvin

Editora: Ediouro

Páginas: 334

Preço médio: R$ 49,00

Anúncios