Quem tem filho sabe que o sono nunca mais é o mesmo depois que eles nascem. Minha mãe diz (e eu espero que não seja verade) que ela nunca mais dormiu direito depois que eu nasci, porque se antes era a função com as crianças pequenas, agora são as preocupações comigo e minhas irmãs que saímos de noite. Estanto ela certa ou não, uma coisa é certa: seu sono nunca mais será o mesmo depois de ter um filho.

Meu começo foi bastante complicado, porque além da Duda acordar muito durante a noite, eu tinha aula na faculdade três dias na semana no turno da noite. Ela tinha 22 dias quando eu voltei para as aulas, o que aumentou a já difícil carga do período de “adaptação à nova realidade”. Tudo bem que as crianças acordam no meio da noite por um tempo, mas com mais de um ano o problema é outro.

Fazíamos tudo o que os livros de bebês e sites indicavam: começávamos a acalmar o ambiente, dávamos banho quente, colocávamos na cama dela e dávamos a madadeira e líamos uma história ou cantávamos. Só que NADA disso fazia ela dormir toda a noite. Resultado: alguns meses depois do nascimento, tive uma crise nervosa de choro pelas poucas horas e pela má qualidade do sono. Se isso tudo não me bastasse, ainda tinha a faculdade e seus trabalhos e, quando ela completou quatro meses, comecei a estagiar. Circo completo; hora do desespero.

Eu já havia lido em alguns lugares que, assim como a maioria das coisas, as crianças precisam aprender a dormir a noite toda e os pais podem fazer algumas coisas para ajudá-las. Eu fazia de tudo, exceto uma coisa: deixá-la chorando quando acordava de madrugada. Minha mãe era contra e nunca queria deixar a Duda chorando por muito tempo (coisa de vó). Vocês podem imaginar (ou não) o meu nível de desespero por nunca estar descansada e saber que outra noite se aproximava. Comecei a pesquisar livros que abordassem o tema (sim, sempre os livros), porque acredito que não fui a primeira e nem serei a última mãe a sofrer de privação do sono (espero que a próxima não seja você). Então encontrei o Nana Nenê.

Tenho um apego quase de TOC (transtorno obsessivo compulsivo) pelos meus livros, mas neste eu PRECISEI sublinhar as partes que me chamavam atenção. Sintam só o desespero. Neste livro, os autores comparam duas crianças: uma criada livremente pelos pais e outra em que os pais controlam com certa rigorosidade os horários de refeição e sono. Claro que não é uma surpresa pra ninguém que a segunda é a forma mais indicada. Então, aproveitando uma ausência da minha mãe, avisei todo mundo aqui em casa de que aplicaria o método (talvez um pouco radical) dos autores numa tentativa quase desesperada de dormir uma noite ininterrupta.

Na primeira noite foram 30 minutos de choro e eu suando frio na minha cama. Na noite seguinte, foram apenas 5 minutos de choro. Na terceira noite uma resmungada. Na quarta noite, minha alma se elevou ao nirvana. Tá, não foi isso, mas vocês não imaginam minha felicidade de acordar pela manhã e perceber que eu havia dormido TODA a noite após pouco mais de um ano pela PRIMEIRA vez. Fiz minha mãe ler alguns dos trechos sublinhados e ela entendeu que  aquele “sacrifício” era para o próprio bem da Duda. Sei que é enlouquecedor ouvir uma criança chorando aos berros durante tanto tempo, mas também o é ter o sono frequentemente interrompido noite após noite. Sabem aquela história do “endurecer pero sin perder la ternura”? Se aplica neste caso.

Se você também sofre com isso, indico esse livro como forma de incentivar e perceber os benefícios de educar a criança para as refeições e horários de sono. E não se preocupe, se o choro for por algum motivo de dor ou doença, você certamente saberá. Espero contribuir para pais e mães desesperados após noites em claro dia após dia. Então, BOA NOITE!

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