Já que no outro dia eu comentei sobre o que tinha achado do filme Comer, Rezar, Amar, hoje o comentário é sobre o livro. Sei que não é nenhuma novidade, mas sempre tem alguém que não leu ou se sente um ET por discordar da maioria. Pois, se você discordou da maioria, não sinta-se mais mal de dizer, pois estou contigo! (talvez nós dois sejamos um ET…)

Se em relação ao filme eu achei que faltou alguma coisa, ficou meio superficial, o livro não peca neste sentido. Muitos dos questionamentos que Liz tem, muitas de nós, mulheres, temos também em algum momento da vida. Eu achei que o começo é um pouco lento e toda a parte que aborda o casamento me parece um pouco pesada e enrolada (talvez exatamente como ela estivesse se sentindo), mas, depois que ela pega o avião, a história engrena e ganha ritmo. Em alguns momentos me parece que a lentidão e o peso retornam, o que torna a leitura um pouco cansativa, mas geralmente essas partes não duram muito.

Posso decepcionar algumas pessoas ao dizer que este não é o primeiro livro que eu indicaria para quem me pedisse uma dica de leitura. Não terminei o livro com os olhos brilhando e apaixonada. De certa forma ele não me tocou tanto quanto à maioria das pessoas. (Justamente essa é a graça dos livros: tocam a cada um de forma diferente dependendo da visão de mundo e experiências de cada um)
O que mais gostei e o que fez com que este livro estivesse sendo comentado aqui foi o modo como Liz percebe e se adapta a cada cultura. Como vocês verão pelas citações da minha ficha, as frases que induzem à reflexão e a descrição das diferentes culturas predominaram na minha leitura. Fiquei com muita vontade de conhecer Roma (já realizei), Índia e Bali. A espiritualidade sempre me encantou e me vi na personagem quando ela encontra dificuldades em se concentrar e meditar. Espero que um dia também consiga encontrar o ponto e o equilíbrio que Liz encontrou. Bom, o esquema vocês já conhecem: citações aqui e ficha lá no final.

“A gente pode mudar de mulher – disse ele. – Pode mudar de emprego, de nacionalidade e até de religião, mas a gente nunca pode mudar de time.

Por sinal, ‘torcedor’ em italiano é tifoso. A palavra vem de tifo. Ou seja: alguém tomado por uma febre alta.”

“Eu me apaixonei instantaneamente por Nápoles. Furiosa, exuberante, barulhenta, suja, incontrolável Nápoles. Um formigueiro dentro de uma coelheira, com todo o exotismo de um bazar oriental e um toque de vocu de Nova Orleans. Um hospício muito doido, perigoso e alegre.”

“As napolitanas, em especial, são um bando de senhoras de vozes fortes, que falam alto, são generosas e intrometidas, todas mandonas, mal-humoradas e sempre se metendo na sua vida e simplesmente tentando ajudar você.”

“O ashram não é um lugar que se possa dar uma passadinha casual para fazer uma visita. Em primeiro lugar, não é muito acessível. Fica bem longe de Mumbai, em uma estrada de terra em um vale rural perto de um vilarejo bonito e humilde (composto de uma rua, um templo, um punhado de lojas e uma população de vacas que passeia livremente, às vezes entrando na alfaiataria e deitando-se bem no meio da loja).”

“Sinto que o destino também é um relacionamento – uma interação entre a graça divina e o esforço pessoal direcionado. Sobre metade dele você não tem o menor controle; a outra metade está completamente nas suas mãos, e as suas ações terão consequências perceptíveis.”

“Mas ver os filhos bem casados significa muito para a família. Tulsi tem uma tia que acaba de raspar a cabeça em sinal de agradecimento porque a sua filha mais velha – com a idade jurássica de 28 anos – finalmente se casou.”

“Ubud fica no centro de Bali, nas montanhas, cercada por terraços de arrozais em nível e incontáveis templos hinduístas, com rios a correr velozes por entre profundos desfiladeiros de florestas e vulcões visíveis no horizonte.”

“Bali é uma ilha pequena localizada no centro do arquipélago indonésio, que tem 3.200 quilômetros de comprimento e constitui a nação muçulmana mais populosa da Terra.”

“Para nossos padrões, todo mundo em Bali pertence a um clã, todo mundo sabe a que clã pertence, e todo mundo sabe a que clã pertencem os outros. E, caso você seja expulso do seu clã devido a alguma desobediência grave, isso realmente seria igual a se atirar dentro de um vulcão porque, sinceramente, você está praticamente morto.”

“Em Bali, o coletivo é totalmente mais importante do que o individual, senão ninguém come.”

“Os ingredientes tanto da escuridão quanto da luz estão igualmente presentes em todos nós, e cabe ao indivíduo (ou à família, ou à sociedade) decidir o que irá prevalecer – as virtudes ou a malevolência. A loucura deste planeta é em grande parte resultado da dificuldade do ser humano de encontrar um equilíbrio virtuoso consigo mesmo.”

“A felicidade é consequência de um esforço pessoal. Você luta por ela, faz força para obtê-la, insiste nela, e algumas vezes viaja o mundo à sua procura.”

“Os baineses não deixam seus filhos tocarem o chão durante os primeiros seis meses de vida, porque os recém -nascidos são considerados deuses enviados diretamente do céu, e você não deixaria um deus engatinhar pelo chão coberto de unhas cortadas e guimbas de cigarro.”

Livro: Comer Rezar Amar

Autor: Girbert, Elizabeth

Editora: Obejtiva

Páginas: 399

Preço médio: R$ 35,00

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