O livro que eu escolhi para esta semana não é novo. Eu li ele na faculdade, graças ao querido professor Fábian na cadeira de sábado de manhã – o único defeito da disciplina – sobre jornalismo internacional. Como já disse por estas bandas de cá (o gauderismo tá pegando hoje aqui), gosto muito do lado antropológico de alguns livros e principalmente de entender culturas tão distantes da nossa. Ressalto que para ler este livro as pessoas devem deixar o olhar ocidental de lado e tentar realmente entender a cultura em que as circunstâncias estão inseridas. Eu sei que vocês conseguem, porque se eu, que sou extremamente feminista e justiceira consegui, qualquer um consegue.

Asne Seierstad é uma jornalista que foi passar um ano na casa de uma família afegã. Não era uma família comum, já que a grande maioria da população do país não sabe ler. Mesmo assim, a tradição muçulmana é tão forte e arraigada à cultura, que mesmo ela, uma estrangeira, teve que se adaptar a alguns costumes como o uso da burcam por exemplo. Conhecer determinada cultura é a chava para entender – ou pelo menos tentar – algumas atitudes. O país e a cultura ganharam evidêcnia naquele 11 de setembro e este livro ajuda muito a entrar neste universo. Acho melhor deixar vocês com as citações do livro. Boa leitura para vocês!

“A minha história de Cabul é a história de uma família afegã incomum. A família de um livreiro é incomum em um país onde três quartos da população não sabem ler nem escrever.”

“O que me revoltava era sempre a mesma coisa:a maneira como os homens tratavam as mulheres. Acrença na superioridade masculina era tão impregnada que raramente era objeto de questionamento.”

‘Pela tradição afegã, o pedido de casamento tem que ser feito por uma das mulheres da família (do noivo).”

“Quando uma mulher pede o divórcio, ela praticamente perde todos os seus direitos. Os filhos seguem o marido e ele pode até impedi-la de vê-los. A mulher torna-se uma vergonha para a família , é mutas vezes expulsa, e todos os seus bens cabem oa marido.”

“Mesmo não sendo raro um homem ter duas ou até três esposas, era humilhante demais, pois a esposa posta de lado era tachada de culpada.”

“Muitas destas esposas se odeiam tão intensamente que nem se falam. Outras aceitam o direito do homem ter  várias esposas, e podem até chegar a ser boas amigas, pois afinal a rival é quase sempre dada em casamento pelos pais contra a sua vontade.”

“Altura e pele clara são os mais importantes símbolos de status na cultura afegã.”

‘Agora o centro das atenções é Saliqa, de 16 anos. Ela está trancada no quarto, depois de um crime imperdoável cometido dois dias antes. Ela foi espancada e está com hematomas no rosto e listras vermelhas e inchadas nas costas.”

“Novos crimes se somaram ao primeiro, o de ter recebido bilhetes de um rapaz, e Deus nos livre, de ter respondido.”

“Todos diziam: ‘como a festa do casamento, o enterro foi maravilhoso.’ A honra da familia estava preservada.”

“Amor tem pouco a ver com casamento, ao contrário, pode ser um grave crime, castigado com a morte. Pessoas indisciplinadas são mortas a sangue-frio. Caso apenas um dos dois tenha que ser castigado com a morte, invariavelmente é a mulher.”

“Mulheres jovens são, antes de mais nada, umobjeto de troca e venda. Um casamento é um contrato entre famílias ou dentro de uma família.”

‘Homens e mulheres que não são da mesma família não devem se sentar na mesma sala. Não devem conversar, nem comer juntos.”

‘Mulheres de burca são como cavalos com antolhos, só podem ver numa direção. Nas laterais, a rede se fecha, impedindo olhares de soslaio. É preciso virar a cabeça inteira. Outro truque dos inventores da burca: um homem deve saber quem ou o quê sua mulher persegue com os olhos.”

‘A noiva deve manter uma expressão indiferente, não deve ficar virando a cabeça e olhando em volta, mas manter o olhar fico à frente.”

“Depois do casamento, a filha se vai, de uma família a outra. De vez. Ela não pode voltar para casa quando quer, somente quando o marido deixa. A família dela tampouco pode visitar a filha na sua casa nova sem ser convidada.”

“Um quarto das crianças do Afeganistão morre antes de completar 5 anos. O país tem o maior índice de mortalidade infantil do mundo. Crianças morrem de sarampo, caxumba, resfriado, mas principalmente de diarréia.”

“O valor de uma noiva está no hímen, o valor de uma esposa está em quantos filhos homens ela põe no mundo.”

“Sapatos se tornam importantes quando não se pode mostrar o corpo, as roupas o cabelo ou o rosto.”

“Pela primeira vez alguém exige uma resposta dela. Ele quer saber o que ela sente, o que ela acha. Mas ela não acha nada, não está acostumada a achar coisa alguma. E ela diz a si mesma que não está sentindo nada porque sabe que não deve sentir nada.”

 

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