Falei sobre o livro Eu sou o mensageiro, de Markus Suzak, e acabei ficando devendo o mais conhecido dele. Pois então hoje falarei de A menina que roubava livros. Como diz na contracapa do livro, “quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler”. Sim, Morte é a narradora desta história contada em primeira (será que posso dizer assim?) pessoa.

A história se passa na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Liesel Meminger é levada por sua mãe para uma família que vai criá-la, já que a mãe é muito pobre. No caminho, seu irmão pequeno acaba morrendo. Esse é o primeiro encontro entre a narradora do livro e a personagem principal. O casal adota a criança para ganhar dinheiro e quem acaba se afeiçoando à criança é o pai, Hans Hubermann. A mãe, Rosa hubermann, sempre muito rude e grosseira, acaba se afeiçoando à menina porém da sua forma tosca. O pai a ensina a ler, o que a faz pegar gosto por livros e pela literatura, qualquer que seja.

Em um certo momento, um judeu, Max Vandenburg, acaba chegando à casa da família e lá permanece escondido das forças do Hitler. Em meio ao temor de estar escondendo um procurado, a famíia acaba criando laços com este habitante do porão. Confesso que demorei para engrenar na história, porém, após a chegada de Max, a leitura flui. Não quero dar muitos detalhes para não perder a graça e porque, justamente, são muitos detalhes (como por exemplopor que o judeu foi se esconder justamente na casa da família Hubermann). A guerra chega cada vez mais perto da rua Himmel e o que parecia tão distante, acaba fazendo parte da vida de Liesel.

Um amigo rebelde e teimoso completa a lista de personagens que formam a trajetória da menina que roubava livros através dos vários encontros com a Morte. O livro tem seu auge muito próximo ao final, quando precisei pegar um lencinho para enxugar as lágrimas que saíram tão naturalmente. Recomendo para todos tanto pelo lado histórico quanto pela maneira diferente usada pela narradora. Depois de algumas páginas você pega o jeito.

“Haveria sofrimento, e haveria também felicidade…”

“Eis um pequeno fato: Você vai morrer.”

“Como todo sofrimento, esse começou com uma aparente felicidade.”

“Tento ser otimista.”

“De certo modo, foi o destino.”

“A sua fraqueza era a impaciência.”

“O ser humano é contraditório. Um punhado de bem, um punhado de mal. É só misturar com água.”

“Como se dá a alguém um pedaço de céu?”

“Uma oportunidade conduz diretamente a outra.”

“Um dia você vai morrer de vontade de me beijar.”

“Não ouvi meus conselhos.”

 “Não disse absolutamente nada. Do que adiantaria? Era completamente inútil.”

“Pode alguém roubar a felicidade? Ou será que ela é apenas mais um infernal truque interno dos humanos?”

“O que mais gostava era a música. Sempre a música.”

“Fez do sofrimento sua vitória.”

“… acorde, eu amo você.”

“O meu coração é que está cansado.”

“O silêncio não era quietude, nem calma, e não era paz.”

“Com um sorriso desses, você não precisa de olhos.”

“Uma definição não encontrada no dicionário: ‘Não ir embora’: Ato de confiança e amor…”

“Não desistiremos. Não descansaremos. Seremos vencedores. Chegou a nossa vez.”

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