Desde o ano passado, quando vi a peça (um monólogo conduzido maravilhosamente por Imara Reis) homônima no Porto Alegre em Cena, estava louca para ler O ano do pensamento mágico. Então, por essas “coincidências” da vida, acabei com ele na minha mesa de cabeceira. Não sei se é porque eu estou mais sensível ultimamente, ou se é porque livros despertam meu lado reflexivo, mas esse livro mexeu com um assunto que sempre me balança: a morte.

Para vocês terem ideia de como é, as primeiras frases resumem o livro e o tom adotado pela autora. ” A vida se transforam rapidamente. A vida muda num instante. Você se senta para jantar, e aquela vida que você conhecia acaba de repente.” Assim, Joan Didion, nos leva a uma viagem de um ano pela sua vida, onde ela se ateve ao pensamento mágico (durante a história vocês compreendem o abstrato desse ato), após perder o marido, John, e ver sua única filha, Quintana, vagar de hospital em hospital numa batalha pela vida.

Truncado em alguns momentos, o livro tem frases excelentes para refletir sobre a única certeza da nossa vida: a morte. A escritora buscou na literatura explicações para as coisas que sentia e a forma como agia e este livro nos ajuda a compreender um pouco o que acontece quando nos vemos diante do inevitável. Não consigo nem organizar meus pensamentos sobre o livro para compratilhá-los com vocês, mas recomendo muito a leitura. As frases abaixo servem para despertar o interessena leitura. Espero que gostem. Ficha lá no final.

“Quando somos confrontados com uma infelicidade repentina, percebemos que as circunstâncias dentro das quais o fato impensável aconteceu não tem nada de excepcional…”

“… A morte, mesmo quando súbita ou acidental, ‘dá sinais da sua chegada’. ”

“O sofrimento causado pela perda, quando ele realmente acontece, não é como a gente imaginava que fosse.”

“No momento em que o fato aconteceu, entrei numa espécie de estado de choque no qual o único pensamento que eu me permitia era o de que devia haver coisas que eu tinha que fazer.”

“Eu conseguia encarara a ideia de uma ‘autópsia’, mas a ideia de um ‘obituário’ ainda não tinha me ocorrido. ‘Obituário’, diferentemente de ‘autópsia’, que era algoque ficava só entre mim, John e o hospital, significava que aquilo tinha relamente acontecido.”

“Durante várias semanas, aquele foi o modo como eu acordava para enfrentar o dia. Acordo e sinto o cair da noite, e não o nascer do dia.”

“Eu precisava estar só para que ele pudesse voltar. Esse foi o início do meu ano do pensamento mágico.”

“Eu pensava como as crianças pensam, como se meus desejos e pensamentos tivessem o poder de reverter a narrativa, de mudar o desfecho.”

“Fiz o que era para fazer. Reconheci que ele estava morto, e fiz isso de modo mais público que eu pudesse imaginar. Entretanto, meus pensamentos sobre essa questão continuavam, de um modo suspeito, muito fluidos.”

“Em tempos difíceis, leia, aprenda, trabalhe em cima das coisas, pesquise a literatura a respeito. (…) Informação significa controle.”

‘Aqueles que estão mergulhados num grande desgosto não sentem vontade de comer, mas se a comida lhes for servida, eles irão comê-la, mesmo que mecanicamentem, e alguma coisa quente para iniciar a digestão e estimular a circulação alterada é do que eles mais necessitam.”

“Quem sofre uma perda recente fica com um certo olhar que talvez seja somente reconhcível pelos que já viram aquele mesmo olhar no próprio rosto. Notei isso no meu rosto e agora percebo isso nos outros. Esse olhar reflete uma enorme vulnerabilidade, é como estar nu e desarmado.”

“Alguns acontecimentos apenas acontecem. Este foi um desses acontecimentos.”

“Sofrer é uma coisa passiva. Apenas acontece. O luto, o ato de lidar com o sentimento da perda, requer uma atenção especial.”

“Temos a expectativa (e sabemos) que alguém próximo de nós pode morrer, mas não conseguimos enxergar além dos poucos dias ou semanas subseqüentes a uma tal morte imaginada.”

“A gente imaginava que sabia tudo o que o outro pensava, mesmo quando não precisávamos necessariamente saber o que era, mas, na realidade, acabei percebendo que nós não sabíamos nem uma mínima fração do que havia para saber.”

Bom, chega que não quero deixar o clima (mais) pesado. Mas vale muito a leitura!

Livro: O ano do pensamento mágico

Autor: Didion, Joan

Editora: Nova Fronteira

Páginas: 221

Preço médio: R$ 26,90

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