Tanto meu ex-cunhado, Ivan, falou do Mario Vargas Llosa que resolvi conhecer a obra desse Nobel da Literatura. Na minha última passagem pela Livraria Cultura, eu fui à falência, vi este pequeno livro e resolvi levá-lo. O título do post justifica-se: é mesmo um livro para ler em uma semana, no máximo. Descobri que Elogio da Madrasta é a primeira incursão do escritor nas histórias eróticas (o que se percebe já nas primeiras páginas).

Como eu disse, este é um livro bastante erótico, com diversas passagens de ato sexual em si. A primeira coisa que me ocorreu enquanto lia foi que esta é a história da Lolita ao contrário. A história é a seguinte: Lucrecia acaba de completar 40 anos, mas se sente jovem como sempre. Ela é casada com dom Rigoberto, que possui um filho do primeiro casamento, Fonchito. Ela temia que o menino pudesse rejeitar a união deles e ser um empecilho para a felicidade do casal, mas a criança se mostrou justamente o oposto, por isso minha alusão a história de Lolita. Rigoberto adora obras de arte e possui uma coleção, então o autor intercala a história em si com alusões feitas por ele e sua amada na hora do sexo em relação às obras. Estranhei um pouco o formato inicialmente, mas depois me acostumei. Minha (humilde) conclusão sobre Vargas Llosa: preciso ler outras obras para chegar a alguma conclusão e ter uma opinião formada.

Abaixo algumas citações que retirei do livro e a ficha.

“Há quem se canse da mulher legítima. A rotina do casamento mata o desejo, filosofam, que encanto pode durar e fazer ferver as veias de um homem que dorme, ao longo de meses e anos, sempre com a mesma mulher.”

“Nenhuma das versões que ouvi chega perto da verdade. Sempre é assim: embora a fantasia e a verdade tenham um mesmo coração, seus rostos são como o dia e a noite, como o fogo e a água.”

“Cabelo é muito bom, um poderoso enfeite sexual, desde que situado no lugar devido.”

“Quem ri a sós, lembra das suas maldades!”

“Porque a felicidade era temporária, individual, excepcionalmente dual, raríssima vez tripartida e nunca coletiva, municipal.”

“Logo entendeu que, como todos os ideais coletivos, aquele era um sonho impossível, condenado ao fracasso. Seu espírito prático o induziu a não perder tempo travando batalhas que mais cedo ou mais tarde ia perder.”

“Quando era crente praticante – agora era só a primeira coisa – sempre suspeitou que, apesar da confissão, não importava o quão minuciosa ela fosse, um pouco de sujeira sempre ficava colada nas paredes da alma, algumas manchinhas rebeldes e tenazes que a penitência não conseguia apagar.”

“Amo quem deseja o impossível.”

“Amar o impossível tem um preço que mais cedo ou mais tarde se paga.”

Livro: Elogio da Madrasta

Autor: Vargas Llossa, Mario

Editora: Alfaguara Brasil

Páginas: 160

Preço médio: R$ 36,90

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