Antes de iniciar o debate gostaria que vocês vissem este vídeo aqui embaixo para entender e poder participar da discussão. É rapidinho…

Faz um tempo que via as pessoas comentando sobre o “comercial do lilinho“, mas confesso que nunca parei para ver. Então, ontem de noite, acabei vendo na televisão mesmo. Admito que fiquei emocionada e não sei bem identificar se foi a música de fundo, as imagens lindas, a narração ou o conjunto todo no maior estilo “propagandas do Zaffari” (quem é de Porto Alegre sabe do que eu estou falando, os demais deem uma busca no youtube que vão entender). Retuitei no Twitter uma frase da Rodaika elogiando o comercial e em seguida recebi uma crítica do meu querido professor André Pase. Dizia a mensagem “comercial deplorável, mostra que mentir pros filhos é bom e quer uma infância mimada”. Refleti um pouco sobre isso e resolvi fazer um post.

No vídeo, o pai escreve para a filha – que ainda não sabe ler – que o peixinho dela (Lilinho) morreu e que a mãe rapidamente o substituiu por um parecido. Ele comenta o dilema de contar a verdade e fazer a criança encarar o sofrimento ou então prolongar um pouco mais esse momento sem o contato com a perda e a consequente tristeza. Acredito que o comercial toque de forma diferente pais e pessoas que não tem filhos. Acho que me emocionei porque este é justamente um dilema que todos os pais enfrentam. Ao mesmo tempo em que sabemos que os filhos precisam passar por perdas e aprender a lidar com frustrações como forma de amadurecimento, não queremos que nosso filhos sofram e passem por dificuldades. Sim, ser pai é um eterno dilema e ninguém disse que era fácil.

Não entendi como “uma infância mimada” como falou o Pase, mas como uma forma de adiar, mesmo que momentaneamente, a dor e o contato com a perda. Lógico que esse contato é inevitável, mas nem sempre a criança precisa lidar com isso tão cedo. Quem aqui nunca disse que depois que as pessoas morrem elas vão para o céu ou viram estrelas? Quem esperou até não dar mais para contar que o Papai Noel, o Coelinho da Páscoa e a Fada do Dente na verdade não existiam? Acho que a avaliação passa por aqui sim, afinal é alimentar uma fantasia. Como mãe, quero que a infância da minha filha seja a mais feliz possível, já que vivemos em um mundo tão perigoso e conturbado. Gostaria sim de “interferir”, como diz a propaganda, a fim de tornar isso viável.

Se eu faria igual? Não sei. Confesso que sou um pouco rude em alguns aspectos e acabo “dando a real” para a minha filha, mesmo que ela tenha 3 anos. Olha a contradição aí de novo… Mas, como eu disse, acho que o motivo pelo qual toca as pessoas é por justamente abordar este dilema (e não estou aqui entrando no mérito de certo e errado). Acho que existem tantas outras coisas que os pais fazem errado e que prejudicam tanto ou mais os filhos do que essa mentirinha inocente. Não cabe a mim julgar, como não cabe a mim ficar criticando os pais que levam os filhos em fast-foods porque estão com preguiça de se envolver com a hora das refeições, ou os que delegam os cuidados dos filhos a babás.

Porém, acho a discussão super válida e estou abrindo aqui este espaço para debate e gostaria de saber a opinião de vocês que me lêem tendo ou não filhos.

PARTICIPEM!

Anúncios