Bom, já que comecei falando de Chanel por aqui ontem, vamos seguir na saga para não perder o fio da meada. Eu contei ontem como fiquei pobre comprei o livro O segredo do Chanel N°5. Então, antes de qualquer comentário sobre o livro, gostaria de registrar que fui lê-lo com  objetivo de aprender mais sobre marketing e como posicionar e manter uma marca. Além, lógico, da curiosidade sobre a vida e as influências de Coco.

Bom, conforme eu já havia dito, o livro conta a infância e a juventude pobre de Gabrielle Chanel no interior da França, mostrando de onde surgiram suas inspirações, especialmente para a fragrância mais famosa do mundo. Seus amantes também tiveram um papel importante na sua criação, já que foi através deles que ela teve seu contato com a alta sociedade. Por cima, é possível acompanhar a ascensão de Chanel no mundo da moda, enquanto ela busca aprender sobre perfumes e colocar em prática o aroma que ela tinha em mente. As perdas pessoais também influenciaram muito a vida deste ícone da moda e serviram de incentivo para ela trabalhar de forma mais obstinada nas suas criações – e no Chanel N°5.

Bom, então vamos aos meus comentários, já que uma colega minha me perguntou o que eu havia achado dele pelo twitter (depois deixa tuas impressões por aqui, Luiza!). Achei o livro bom, fácil de ler e com importante contextualização econômica/histórica. A autora nos situa no contexto em que todos os momentos importantes na história do perfume acontecem e achei isso muito bem feito. Em alguns momentos a leitura fica mais trancada e meio monótona, mas estes são muito poucos. Ao mesmo tempo não é daquelas leituras fascinantes, mas eu gostei, ainda mais que não conhecia nem meia vírgula da vida de Coco.

Do ponto de vista de pesquisa de marketing achei um pouco fraco. Gostei muito de algumas estratégias usadas, mas para quem é do ramo não deve perceber muitas novidades. Uma das coisa que mais gostei foi da vasta bibliografia usada pela autora, que tem ótimas sugestões para diversos temas para quem pretende se aprofundar. Eu já anotei alguns ali e pretendo fazer a aquisição assim que quitar minha última passada pela Livraria Cultura. E vocês já devem ter visto que tenho dificuldades de criticar fortemente livros e dizer que não gostei porque acredito que todas as leituras são válidas. Então, alguns trechos do livro para vocês e a ficha lá embaixo.

“Chanel N°5 é um dos poucos perfumes de ‘legado’ remanescentes, e a ideia de que Chanel N°5 deixa a mulher irresistivelmente fascinante não é novidade. As alvoroçadas economias do pós-guerra criaram um novo modelo de riqueza e luxo, e, plea primeira vez, tudo isso parecia estar ao alcance das pessoas comuns.”

“Entre todos os ícones da década de 1920, entretanto, nenhum chegou aos pés de Coco Chanel, já reconhecida como uma das mulheres mais chiques e influentes de toda uma geração.”

“A verdade é que a fragrância que sintetiza todos esses prazeres mundanos começou com um deplorável empobrecimento e em meio a perdas atordoantes.”

“Estava no cerne da estética de Coco Chanel – a sua obsessão por pureza e minimalismo. Essa estética moldava os vestidos que ela desenhava e o modo como vivia. Moldou o Chanel N°5, a sua grande criação olfativa, não menos profundamente.”

“Havia uma linha tênue entre respeitabilidade e o demi-monde, e havia até vários tipos diferentes – e níveis – de amantes. Perfume era um dos modos essesnciais de distinguir entre eles.”

“No início do século XX, havia uma acentuada diferença entre o cheiro de uma cortesã e de uma boa moça.”

“Perfume era Paris. Paris era chique e sexy. Os soldados de volta pra casa queriam algo que mostrasse que eles tinham estado ali, algo que ajudasse a lembrar isso.”

“Sozinha na cama que haviam compartilhado, nas semanas seguintes, ela conheceu o desespero e, sem dúvida, conheceu também como o cheiro persistente do homem que você amou nos lençóis pode doer na alma.”

“Ela buscava algo extraordinariamente contraditório. O seu perfume tinha de ser exuberante, opulento e sensual, mas também precisava cheirar a limpeza, como Aubazine e Émilienne.”

“Durante os seus primeiros quatro anos, de existência, desde o seu lançamento comercial em 1921 até 1924, o Chanel N°5 era vendido apenas nas suas lojas e por meio de recomendações verbais.”

“O sofrimento torna as pessoas melhores, não o prazer. A coisa mais misteriosa, mais humana é o cheiro. Isso significa que o seu físico corresponde ao do outro.”

“No exato momento em que o Chanel N°5 estava se tornando um estonteante sucesso, Coco Chanel abdicou dos seus direitos a ele.”

“Os anos do pós-guerra viram a ascensão de um novo tipo de mercado de luxo que incluía o consumidor de classe média.”

“Do ponto de vista do marketing, o sucesso do Chanel N°5 não foi porque a sua embalagem tivesse sido totalmente revolucionária, mas porque ele smepre forçou o que algumas pessoas chamaram de delicada fronteira da avant garde.”

“Quando o estilo art déco tomou conta do país nos meses e anos que se seguiram imediatamente, isso só fez o Chanel N°5 – e Coco – mais famoso.”

Livro: O segredo do Chanel N°5

Autor: Mazzeo, Tilar J.

Editora: Rocco

Páginas: 303

Preço médio: R$ 39,50

Ah! E sempre é bom lembrar que eu ainda não tenho o outro livro sobre a vida de Chanel, Dormindo com o inimigo, e que estamos em época de Feira do Livro. A alma caridosa quiser ( achar que mereço esse mimo), sinta-se à vontade… 😉

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