Ano novo, post novo. Sim, cá estou eu viva e com saúde. Todos comemoram, algumas não. Enfim, c’est la vie… Me ausentei por um tempo devido a quase exaustão que tomou conta de mim no final do ano. Mas, prometo que estou de volta e vou tentar postar o máximo possível. Começo abrindo os trabalhos com a minha primeira leitura de 2012: Dormindo com o inimigo – A guerra secreta de Coco Chanel.

Lembram que falei desse livro nesse post aqui e nesse outro aqui? Infelizmente não ganhei ele, mas não resisti e me presenteei. Comecei a ler no final do ano e terminei nos primeiros dias para encerrar (por enquanto) a saga Chanel. Ler dois livros sobre praticamente o mesmo assunto é estranho, porque no segundo a gente já conhece um pouco da história e percebe diferenças entre alguns acontecimentos. Porém, na minha humilde visão os livros são complementares. Enquanto um trata mais profundamente sobre as relações interpessoais da estilista, o outro aborda suas influências e tem como objetivo analisar o motivo do Chanel N°5 ser um sucesso de vendas até hoje.

Repleto de fotografias e cópias de documentos, o livro tem como objetivo provar o envolvimento de Chanel com os alemães nazistas que ocuparam a França durante a Segunda Guerra. Já comentei por aqui sobre minha queda por livros de cunho histórico e este foi outro motivo pelo qual a leitura fluiu tão bem. Recomendo o livro para quem gosta de biografias ou para curiosos – como eu – sobre a personagem. Vamos a algumas citações então.

“Na época, a doutrina e a teologia católica davam ênfase ao pecado, à penitência e à salvação. Também sabemos que, na virada do século XX, instituições como Aubazine doutrinavam os jovens a odiar os judeus. Chanel não era excessão. Era dada a frequentes acesos de antissemitismo.”

“Mas Spatz não era nenhuma playboy ariano, como o pintaram alguns biógrafos. Foi treinado por seus chefes em Berlim para ser o que todo espião deve ser: desenvolto, observador, controlado, perspicaz, simpático e capaz de se entrosar nos ambientes. Ele escondia o jogo, atraindo alvos dispostos  a trair seus países e que fornecessem documentos e informações táticas e estratégicas úteis para os serviços navais e militares da Alemanha.”

“Em 1920, Paris era a meca de todos os que escreviam, pintavam, compunham e esculpiam. Artistas, músicos, compositores e escritores eram atraídos a essa cidade da alegria.”

“Ela queria que as damas deixassem de ser objetos empoados e glamorosos e adotassem uma silhueta leve e ágil, usando seus pretinhos básicos e vestidos tubulares flexíveis como os boás.”

“Assim como os suéteres ingleses de tricô de Boy Capel foram suas inspiração para copiar a moda para as mulheres, Pavlovitch a inspirou a criar a coleção russo-eslava e a entrar no ramo dos perfumes.”

“Eu o amava ou pensava que o amava, o que vem a dar no mesmo”

“Bendor, como Winston Churchill, seu amigo de toda a vida, nasceu num mundo onde os nobres britânicos eram considerados (e se consideravam) quase divinos.”

“Chanel tinha um talento especial para explorar tudo e todos com quem estivesse em contato, e inventou um estilo de vida baseado nas maneiras e na energia de Westminster.”

“Eu nunca quis pesar mais do que um passarinho para um homem.”

“Com muito trabalho, um bom gosto intuitivo, o charme feminino e uma ambição obstinada e rebelde, deixou a pobreza para trás e entrou num mundo de sedas, cetins, joias preciosas, imensa fortuna e notoriedade.”

“Os casos homossexuais e heterossexuais eram comuns no círculo de Chanel, bem como o uso de morfina, cocaína e outras drogas.”

“Antes de Iribe, nenhum homem tinha despertado uma consciência política em Chanel, e ela lhe cedeu espaço em sua vida profissional, dividindo o poder que sempre fizera questão de preservar para si mesma.”

“Suas ideias políticas de direita tinham se aprofundado ao longo dos anos, com seus amantes – os homens que a tinham tirado da pobreza e ajudado a se lançar na carreira de costureira de sucesso em Paris.”

“Para os pouco privilegiados, Chanel e seu círculo de amigos, na verdade Paris em tempos de guerra não se diferenciava em nada de Paris em tempos de paz.”

“Sempre inventiva e oportunista, Chanel achou que sabia como se mover em Paris sob a ocupação nazista e obter a libertação do sobrinho André Palasse.”

“Em algum momento de 1941, a Abwehr inscreveu Gabrielle Chanel em seus registros como Agente F-7124, codinome Westminster.”

“Chanel não tinha nenhuma dúvida de que o nazismo significava negócios, pois a aplicação das leis antissemitas tinha por consequência a arianização das propriedades e empresas judaicas.”

“Outrora centro da cultura e do bom gosto, Paris se convertera num lugar perigoso, onde indivíduos revoltados saíam depois do toque de recolher para matar alemães e punir colaboracionistas conhecidos e agentes do mercado negro.”

Livro: Dormindo com o inimigo

Autor: Vaughan, Hal

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 361

Preço médio: R$ 43,00

Anúncios