Quero começar pedindo com licença ao pessoal que lê o blog, porque normalmente não faço post “editoriais”, mas esse se faz muito necessário. Estou querendo compartilhar com vocês uma situação super chata que me aconteceu agora na volta das férias (por isso a ausência, gente) e gostaria de opiniões. Quem tem filho sabe que não há nada que a gente se preocupa mais no mundo e proteja mais do que os filhos. Sem dúvida, minha filha é meu bem mais precioso e de inestimável valor.

Estava de férias com a Duda no Rio e recebi uma ligação da escolinha que ela frequentava avisando sobre a nova data da reunião de começo de ano. Como eu só chegava dia 6 de março, achei ótimo que tenha ficado para o dia 8. Nesses dois meses de verão, minha filha fica na praia com a minha mãe, já que devido ao meu horário de trabalho, não tenho como ficar com ela aqui em Porto Alegre. Sempre paguei esses dois meses no valor integral, mesmo que ela não estivesse frequentando, afinal, o valor pago à escolinha seria uma anuidade dividida em 12 prestações. Também sempre paguei a taxa de rematrícula, mesmo não entendendo sobre a cobrança da mesma, uma vez que minha filha já estava matriculada na escola e eu seguia pagando ininterruptamente.

Voltamos no dia 6 e a minha filha frequentou a escola dias 6, 7 e 8, quando a busquei e voltei para a tal reunião. Lá, fiquei sabendo que a escola estava de mudança, já que desde dezembro o proprietário da casa havia solicitado a sua entrega. A diretora disse que apenas no final de janeiro conseguiu uma outra casa que acomodasse a escola, tinha iniciado as reformas e passou o novo endereço. Segundo ela, a intenção era iniciar março já na nova sede, mas como houve atraso nas obras a mudança deveria ocorrer no máximo até o final do mês. Imaginem vocês a minha cara de espanto ao receber a informação assim, já que o fator principal para eu ter escolhido aquela escola há três anos era a proximidade com a minha casa e a facilidade que isso proporcionava. Eu havia cogitado trocá-la de escola no começo do ano, já para um colégio, mas o fato da escolinha ser do outro lado da rua e a Duda ter suas amigas lá pesaram e deixei mais este ano. Imagina se eu volto de férias e a escola não está mais lá?! Fui algumas vezes na escola durante janeiro e fevereiro e ninguém havia me comentado nada a respeito.

Cheguei em casa e disse para a minha mãe pouco antes de cair no choro, pensando como iria poder viabilizar o novo esquema de levar e buscar. Eu sempre buscava e adorava, já que não podia levá-la e o novo endereço era fora de mão e impossibilitava que voltássemos a pé. Em uma convenção (eu, minha mãe e minha irmã, que além de dinda estuda psicologia) decidimos que no dia seguinte eu ligaria para o Colégio Anchieta e veria a disponibilidade de vagas e tentaria fazer a matrícula. Entre as opções (trocar para outra escolinha, manter na mesma e colocar em um colégio) esta nos pareceu a melhor, já que evitaria nova adaptação em um ou dois anos. Não preciso nem dizer que passei metade da noite acordada e a outra metade tendo pesadelos.

Acordei com a sensação de ter sido atropelada por um caminhão cegonha carregado e liguei pro Anchieta. Fui muito bem atendida e contei o meu drama para umas 4 ou 5 pessoas diferentes. Separei os documentos e corri para lá. Fiz a matrícula dela e conversei rapidamente com a Orientadora Educacional da pré-escola e combinamos como seria a adaptação, já que os outros já haviam feito e eu estava de férias apenas até terça. De tarde iniciamos uma nova etapa, com eu morrendo de medo da reação e da Duda não se adaptar ou estranhar muito. Graças a Deus minha filha é uma criança maravilhosa e já no primeiro dia adorou a escola, a infra-estrutura e a professora. Tirei um elefante das costas. Parte principal feita, era hora de ver como proceder em relação a questão financeira.

Me programei para ir na segunda pela manhã conversar coma  diretora e encaminhar tudo que fosse necessário para o desligamento e ser ressarcida. No sábado, dia da festa de aniversário da Duda, recebi um torpedo da diretora dizendo que ela havia se confundido e passado o endereço da casa pela qual ela havia feito a proposta, mas havia perdido. O endereço certo era ainda mais longe para mim. Imaginem como me senti nesse momento. Depois de 3 anos da minha filha na escola, me senti usando um nariz de palhaço.

Quando fui conversar sobre a situação, fui informada que seria devolvido apenas metade do valor pago (referente a mensalidade mais as aulas de balé e judô, embora ela não as tenha feito), porque ela “frequentou metade do mês”. Me desculpem, mas aprendi no colégio – o Anchieta, por sinal – que metade de 30 é 15 e que 8 é quase a metade de 15. Na verdade, minha filha frequentou 3 dias e somente porque eu não sabia da mudança, assim como a maioria dos pais dos colegas dela. Quando contestei isso a justificativa foi “a gente conta os dias úteis”. Pegando o calendário de março de 2012, contei 22 dias úteis. Metade disso seria 11 e a partir do dia 8, quando eu soube, ela não mais foi à escola. Ela ficou de rever a situação e me dar um retorno e estou esperando. Sobre as mensalidades de janeiro e fevereiro que eu pedi, uma vez que ela soube em dezembro que a escola teria que se mudar e não avisou ninguém, a explicação foi que “a nossa anuidade vai de fevereiro a fevereiro”. Então, vamos de novo com a minha lógica: se vai DE FEVEREIRO, este é o mês 1, logo, não pode ser o mês 12. Não sei se estou equivocada nesta lógica, mas não me parece correto moralmente e eticamente esta cobrança tendo tudo acontecido como foi.

O que me deixa incomodada é que foram 3 anos da minha filha na escola. Três anos em que confiei meu bem mais valioso a estranhos em quem eu tinha plena confiança. Apesar de todas as irregularidades e coisas que estavam erradas, eu sabia que ela estava sendo bem cuidada pelas professoras, pois ela gostava muito de ir. As amigas foram uma para cada escola e espero que eu e as outras mães consigamos manter contato e seguir alimentando essa convivência e amizade. Como eu trabalho, a escola era para ser a segunda casa dela e subitamente ela teve que passar por uma mudança para a qual não pudemos prepará-la. Me doeu no coração ver ela entrando dois dias na sala, deixando a mochila no lugar e sentando sozinha para brincar, pois ela ainda não está enturmada como os demais que fizeram a adaptação. Se a ideia era não informar a mudança antes para tentar manter o maior número possível de crianças na nova sede, tudo o que ela conseguiu foi a minha decepção e revolta. Me senti ultrajada como mãe e como consumidora e esperava que após anos de relacionamento as coisas pudessem ser mais limpas e honestas. Lamento que não foram. Então, agora quero o dinheiro que paguei de volta integral, porque sei quanto custa cada minuto que ficamos longe dos filhos. Pode soar como mesquinharia, mas nenhum dinheiro paga ver o filho sentado brincando sozinho.

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