Quem estava sentindo falta das dicas de leitura pode comemorar que a de hoje saiu quentinha do forno! Terminei de ler esta semana o livro que comecei nas férias e já fiz um resumo dele aqui pra vocês.

A década de 20 é considerada por muitos a era de ouro de Paris. O mundo havia acabado de sair da primeira Guerra Mundial, então todos bebiam muito, fumavam e viviam como se não houvesse amanhã. Quem viu o filme de Woody Allen, Meia Noite em Paris (quem não viu eu recomendo), percebeu que grandes nomes das artes estavam na capital da França nos anos 20. Chanel havia estourado e revolucionado a moda e a postura feminina e escritores, pintores, músicos, dançarinos e todos ligados à arte queriam estar em Paris, onde tudo acontecia. Este é o cenário em que se passa a história de Casados com Paris, de Paula McLain.
A autora baseia-se em biografias de Ernest Hemingway para criar a sua versão de Hadley Richardson, sua primeira esposa e narradora da história. Os dois conheceram-se ainda jovens, em Chicago, quando Ernest ainda batalhava por reconhecimento como escritor e havia recém retornado do campo de batalha depois de quase ter perdido a vida. Após o casamento, mudam-se para Paris na esperança de conseguir contatos para a incipiente carreira e inspiração. As ruas fervilhavam de gente e os cafés eram ponto de encontro de figuras como Zelda e Scott Fitzgerald (autor de O Grande Gatsby, que retornará aos cinemas com Leonardo Di Caprio), Gertrude Stein, Picasso, entre outros.
Aos poucos, o casal vai fazendo amigos e ganhando referências muito importantes para a carreira de Ernest. Porém, a vida era difícil e eles tinham pouco dinheiro. O livro retrata toda a entrada do jovem casal neste mundo de loucuras, onde a fidelidade conjugal era um luxo e o seu casamento era considerado um modelo de inspiração para todos. Em meio a viagens para a Espanha, Suíça e outros lugares da própria França, Hadley retrata o processo de criação de importantes livros de Hemingway e a dificuldade de manter o relacionamento firme em meio a tantas loucuras e liberdades. A chegada de um filho não impede o início de um triângulo amoroso que vai por fim ao casamento considerado modelo pelos amigos famosos e ricos. Acho esta época fascinante e comprei este livro justamente após ter visto Meia Noite em Paris. Quem se interessa por literatura vale a pena conferir o livro que é leve e fácil de ler.
“Não havia mais terra natal, não no sentido essencial, e isso também era parte de Paris.”
“Havia gente interessante por toda parte, naquela época. Os cafés de Montparnasse eram frequentados por pintores franceses, bailarinos russos e escritores americanos.”
“Ninguém acreditava em casamento, naquela época. Casar-se era dizer que você acreditava no futuro e também no passado – que história, tradição e esperança eram capazes de se unir para nos manter firmes e fortes. Hoje era tudo o que havia para nos jogarmos dentro sem pensar em amanhã, quanto mais em para sempre.”
“Minha vida era minha vida; eu teria que encará-la, de alguma maneira, e fazê-la funcionar a meu favor.”
“Espero que tenhamos a sorte de envelhecer juntos. A gente os vê na rua, aqueles casais que estão casados há tanto tempo que você não consegue saber quem é quem.”
“Agarramo-nos um ao outro, fazendo juras que não poderíamos manter e que jamais deveriam ser ditas em voz alta. O amor é assim às vezes”
“Se as mulheres em Paris eram pavões, eu era uma espécie doméstica de galinha.”
“Senti-me culpada pela felicidade que me invadia pelo fato de não dividi-lo… culpada e feliz, tudo ao mesmo tempo.”
“Quando ganhávamos, tomávamos champanhe, e às vezes quando perdíamos também, porque estávamos felizes por estar ali e por estarmos juntos.”
“Essa é uma das coisas que a guerra faz. Tudo o que se vê serve para substituir momentos e pessoas da vida anterior, até que não mais se consiga lembrar por que qualquer um deles importava.”
“Nunca é alguém além de você quem faz alguma coisa, e só por essa razão você não deveria se arrepender.”
“A confiança perdida raramente pode ser reconquistada, eu sabia, sobretudo com Ernest.”
“Sempre dissemos que daríamos toda a liberdade um ao outro. Mas é engraçado: quando ela chega, você não a quer.”
“Em Paris, todos eram tão drásticos e dramáticos, atirando-se uns aos outros aos leões.”
“Os homens ouvem o que querem e inventam o resto.”
“Saber que ele sofria me dava pena. É assim que o amor nos enreda.”
“As pessoas pertencem umas às outras enquanto elas acreditam.”
“… lutar por um amor que já se foi é como tentar viver nas ruínas de uma cidade perdida.”

Livro: Casados com Paris

Autor: McLain, Paula

Editora: Nova Fronteira

Páginas: 1336

Preço médio: R$ 35,90

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