Em primeiro lugar, sim, adaptei a música da Angélica para quem não havia entendido. Em segundo lugar, como alguns de vocês talvez saibam, eu tenho usado muito a bicicleta como meio de transporte ultimamente. São diversos os motivos: polui menos, é um exercício que eu faço, se o trânsito está caótico não fico presa nele, adoro pedalar e faz parte do estilo de vida que quero adotar. Daí alguns devem dizer “mas é tão perigoso” ou “não temos estrutura para bicicletas em Porto Alegre“. Minha resposta para o primeiro é: sim, é perigoso, mas é possível dobrar a atenção e tomar medidas preventivas para evitar acidentes (eu já me acidentei sozinha – que vergonha – e fiquei toda roxa, acontece). Quando eu acho que os motoristas estão muito enlouquecidos, vou pela calçada. Para o segundo, minha resposta é: se não começarmos a usar, jamais teremos estrutura mesmo.

Já fazem algumas semanas que venho – e volto, lógico – para o trabalho de bicicleta. Moro consideravelmente perto (de ônibus pela manhã levo cerca de 15 minutos – 30 pelo menos no fim de tarde – e caminhando entre 30 e 40 minutos) e o trajeto leva cerca de 20 minutos. Então já pude observar algumas coisas que compartilho com vocês:

Táxis: Faz tempo que eu gostaria de saber da EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) se os taxistas possuem alguma autorização que os coloca acima de sinalizações e regras de trânsito. Não poucas vezes eles param onde bem entendem, ignorando a placa de proibido parar e estacionar para o embarque/desembarque de passageiros. Não deve aumentar tanto o consumo de combustível simplesmente subir na entrada de garagem mais próxima para não atrapalhar o fluxo. Estou falando da minha experiência e não estou generalizando, mas a maioria dos motoristas de táxi de Porto Alegre respeitam muito pouco sinaleiras, ciclistas, placas, fluxo, enfim… Minha maior dificuldade até o momento é a convivência harmoniosa com eles. Segunda-feira vi, ironicamente, um táxi com um adesivo com a distância que a bicicleta tem que manter dos carros. Eu gostaria de saber se o colega cumpre tal distância, porque eu já levei várias fechadas ou aproximadas intimidadoras dos seus companheiros de profissão. Acho que os taxistas de um modo geral deveriam passar por um processo de reciclagem para relembrar regras de trânsito e de boas convivência. #querovernacopa

Motos: Para minha decepção, os parceiros de duas rodas são bastante intolerantes em relação aos ciclistas. Achei que haveria uma cooperação, um entendimento, mas me equivoquei feio. Muitos passam extremamente perto e demonstram toda a sua impaciência com a nossa presença no asfalto, até fechada de um já levei. Triste isso. Com a velocidade sempre elevada e manobras arriscadas, não me admira que tantos percam a vida todos os anos. Mas é um estilo que eles adotaram e não me parecem muitos dispostos a abdicar da “vidaloka” das motocicletas. Ah, e sempre é bom lembrar: A linha pontilhada entre as pistas NÃO é faixa de motos!

Lotações: Outro método de transporte que me intriga há muito porque pode – ou pensam que podem – tudo. O mais grave é que é um meio de transporte COLETIVO. Não raro me deparo com uma lotação furando o sinal vermelho para chegar antes (onde, no próximo sinal?) ou que está em tão alta velocidade que não consegue frear e passa depois que a sinaleira fechou. Aliás, gostaria de saber que tipo de rally do transporte coletivo acontece que as lotações estão seguidamente em alta velocidade, fazendo muitas ultrapassagens que obrigam os motoristas dos carros a frearem e por vezes sem conta encontram-se na pista da esquerda. Daí um pedestre faz sinal e o motorista corta todo mundo para parar e pegar o passageiro. Não seria mais fácil, lógico e seguro se manter na pista da direita?! A EPTC também deveria trabalhar junto a estes profissionais até mesmo para entender o motivo de fazerem este tipo de coisa, arriscando a vida dos passageiros (ganham comissão por passageiro? Tem bonificação para quem faz o trajeto em menor tempo? Há uma competição com os ônibus?)

Vou ficar por aqui por hoje para não tomar muito o tempo de vocês e não parecer que eu só reclamo. Mas são pontos que devem ser levados em consideração e que acredito que precisam de uma reflexão. Mudança de postura (de todos) é fundamental para a coisa funcionar. Não faço parte de movimento nenhum, para não ficar aquele ranço que o mundo tem com os engajados com alguma causa. São percepções de alguém simples que está adotando um outro estilo de vida mais saudável e tentando se adaptar à realidade e viabilizar o esquema.

#REFLITAM

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