Eu estava me contendo, mas não sou boa nisso. Então vamos lá ao Caso Xuxa Meneghel:

Quem esperava algo diferente da “sociedade do espetáculo” e fez comunicação, ou não prestou atenção nas aulas de teorias da comunicação (o que é compreensível) ou não entendeu nada (o que também é compreensível). Assim como TODOS os depoimentos “bombásticos” veiculados pelo Fantástico ou qualquer que seja o programa, a luz, o cenário e a trilha são SIM usados para chocar e criar um clima. Não sei por que seria diferente nesta ocasião.
Bizarrices do depoimento e verdades ou inverdades à parte, a entrevista conseguiu o que se propunha: LEVANTAR O DEBATE SOBRE A QUESTÃO DO ABUSO DE CRIANÇAS. Ponto para o programa. Apelando ou não, Xuxa viveu este drama e o modo como foi divulgado não tira o crédito do sofrimento ou o exagera de forma exacerbada. Vários sites e veículos de comunicação abordaram o tema hoje e ontem. Fogo de palha ou não, a questão PRECISA ser discutida.

Se a atração anunciasse uma entrevista com a Rainha dos baixinhos falando sobre sua vida e a carreira, ou seja, mais do mesmo, pouquíssimas pessoas veriam e a abrangência e repercussão não seriam tão grandes. De novo, é a mesma coisa que se faz com as propagandas de novela anunciando o “próximo capítulo”: despertar o interesse e prender a atenção do telespectador. Essa é uma prática comum desde o surgimento da televisão e faz parte da batalha por Ibope. Se até mesmo as novelas tem uma função social de levantar temas para debate, por que um programa jornalístico não pode fazê-lo?! O nível de dramaticidade fica por conta do editor. Edição: este aspecto responsável pelo sucesso – ou não – de muitos programas como o Pânico na TV (para usar um exemplo bem distinto). Chocou? Causou comoção? Levantou o debate? Ponto para o editor da entrevista.

De acordo com informações publicadas na Zero Hora de hoje (22 de maio de 2012), o Rio Grande do Sul registra UM ABUSO INFANTIL A CADA TRÊS HORAS. Se Xuxa não tivesse se exposto, embora tardiamente, o assunto ganharia destaque nos principais meios de comunicação? Provavelmente não. Ou então, provavelmente se perderia em meio a tantas notícias ruins que recebemos todos os dias. Se concordo ou discordo da maneira como tudo foi conduzido pouco importa, mas acredito que é preciso muita coragem para admitir este problema e se expor em rede nacional. Ponto pra Xuxa (que ganhou minha admiração – e pena).

Não entendo o tanto de críticas se 1: todo mundo viu; 2: todo mundo está falando sobre; 3: a sociedade e a mídia agem assim faz tempo; 4: é um padrão e não há motivos para esperar que não se repita. Enfim, acho que o debate é extremamente válido e o tema foi abordado da maneira mais leve que se podia, já que se trata de um tema fortíssimo.

 

*este texto é um editorial meu, Juliana Matte Winge.

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