Gente, vocês me desculpam a ausência? Foi filha doente, alguns problemas pessoais, uns dias de tensão familiar e muito trabalho. Acabei deixando o blog às moscas. MAS, coloquei a leitura em dia. O que significa novos posts para as próximas semanas. Sim, tenho nada menos do que 4 novos livros que foram devorados nesses últimos dois meses. Todos muito bons. Vamos ao que interessa então.

Vou começar com Medo e delírio em Las Vegas, um clássico do jornalista norte-americano Hunter S. Thompson. Thompson é conhecido de todo jornalista que frequentou a faculdade (jornalista com diploma já!) por ser o criador do jornalismo gonzo. Não é jornalista? Eu explico. Jornalismo gonzo é um tipo de jornalismo onde o autor participa ativamente do acontecimento e o narra conforme seu ponto de vista e sua experiência. É praticamente o oposto do distanciamento e relato dos fatos que vemos nos veículos jornalísticos tradicionais. (Viu como prestei atenção às aulas de Jornalismo literário, Vitor Necchi, mesmo sendo sábado pela manhã?!)

Para este livro, o autor foi enviado a Las Vegas para cobrir uma corrida de carros no deserto. Porém, a bagagem do carro conversível alugado era composta por uma incrível variedade de drogas, alucinógenos e bebidas. O livro é bem curtinho, há diversas passagens engraçadas e outras bastante malucas (como é de se esperar). Não sei se tudo que aparece (destruir duas suítes de dois hotéis e dois carros alugados) realmente aconteceu, mas a fama de tresloucado de Thompson nos leva a crer que sim. Escolhi este livro para retomar as atividades, porque está nos cinemas um filme com o amor da minha vida Johnny Depp, baseado em outro livro de Thompson: Diário de um jornalista bêbado.

No filme, o ainda jovem jornalista (que leva outro nome no longa) vai para Porto Rico, trabalhar em um fracassado jornal local. Entre bebedeiras e drogas, ele conhece uma linda mulher, fica encantado por ela e faz loucuras, como perder uma grande oportunidade de trabalho. Como ainda era desconhecido, aqui temos um Thompson menos louco do que em Medo e delírio, mas já dá pra ter uma ideia de como ele era. Um filme bem legal que se você não gostar da história, já vale pelo muso Depp, aqui em uma versão vintage (o filme se passa na década de 50). Bom, mas vamos a ficha do livro então para quem se interessou, ou para interessar quem ainda não foi conquistado.

“O porta-malas do carro mais parecia um laboratório móvel do departamento de narcóticos. Tínhamos dois sacos de maconha, 75 bolinhas de mescalina, cinco folhas de ácido de alta concentração, um saleiro cheio até a metade com cocaína e mais uma galáxia inteira de pílulas multicoloridas, estimulantes, tranquilizantes, berrantes, gargalhantes… além de um litro de tequila, outro de rum, uma caixa de Budweiser, meio litro de éter puro e duas dúzias de amilas.”

“Nada neste mundo é mais inútil, irresponsável e depravado que um homem completamente chapado de éter.”

“Numa cidade repleta de loucos de pedra, ninguém percebe quando alguém está louco de ácido.”

‘Para um perdedor, Vegas é a cidade mais cruel do planeta.”

“Essa é a principal vantagem do éter: você se comporta como o bêbado da aldeia num velho romance irlandês… perde todas as funções motoras básicas: a visão embaça, o equilíbrio some, a língua fica dormente – todas as conexões entre o corpo e o cérebro são interrompidas.”

“Todos adoram bêbados nesta cidade. São carne fresca. Graças a isso, eles nos ajudam a passar pelas catracas e nos deixam à solta lá dentro.”

“Não, esta não é uma boa cidade para usar drogas psicodélicas. a própria realidade já é distorcida demais.”

“Não existe misericórdia para um criminoso drogado em Las Vegas.”

“Sempre chega o momento de minimizar as perdas ou consolidar os ganhos – o que for mais adequado.”

“Só existe uma regra sagrada: Não sacaneie os nativos. Tirando isso, ninguém se importa.”

“Num lugar onde ninguém com alguma ambição é realmente quem parece ser, não existe muito risco em agir como um esquisitão de marca maior.”

“Vegas é tão cheia de pessoas naturalmente esquisitas – criaturas realmente transtornadas – que as drogas não chegam a ser um problema, exceto para os policiais e a máfia da heroína.”

“Depois de cinco dias em Vegas, parece que você está há cinco anos por aqui.”

“De vez em quando todo mundo tem um daqueles dias em que tudo é em vão… uma série de frustrações do início ao fim; e quem sabe se cuidar fica escondido num canto seguro em dias como esse, só de olho.”

Livro: Medo e delírio em Las Vegas

Autor: Thompson, Hunter S.

Editora: L&PM

Páginas: 224

Preço médio: R$ 18,00

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