Dominar um tema não quer necessariamente dizer que a pessoa sabe discorrer com clareza, ética e de forma informativa a respeito. Um economista escolhe a faculdade de economia pela sua familiaridade com os números e, muitas vezes, não dominar e saber se expressar com clareza em palavras. Trabalho diariamente com economistas e sei exatamente do que estou falando.

Não nasci sabendo escrever, o aprendi ao longo da vida. Não acho que saiba tudo e acredito que sempre há espaço para o conhecimento e aperfeiçoamento. Também não sabia nada de economia quando entrei para a minha atual empresa. Em quase 3 anos, aprendi o que é uma operação se swap cambial reverso, realização de lucros, comprados, vendidos e uma infinidade de termos técnicos tanto em português quanto em inglês. Justamente por ter sido leiga no assunto, acredito que explico de forma mais clara e de fácil entendimento aos meus leitores sobre as movimentações do mercado do que os meus colegas analistas. E, acredito eu, funciona assim com todas as vertentes do jornalismo. Afinal, as especializações estão aí para isto.

Há os que nascem com o dom inato para escrever (assim como para cantar, pintar, …), mas que nem sempre optam pelo jornalismo. Essas são exceções à regra e ainda assim não vejo motivo para que não estudem e aprofundem seus conhecimentos e consigam um diploma de jornalista. Estudar não dói.

Defendo os bons profissionais e meus argumentos se aplicam a quem busca a excelência. Até porque, o jornalismo é quase um altruísmo hoje em dia. Não produzimos matérias para nós (suspeito eu que alguns para seu ego, mas prefiro crer que estes são minoria), mas para as pessoas que nos leem/escutam/veem.

Quem defende o não corporativismo da classe deveria se mudar para um país socialista, porque no Brasil, infelizmente, é difícil pagar as contas com apenas o salário da categoria. Profissionais que defendem a não obrigatoriedade do diploma estão prestando um desserviço e desmerecendo o trabalho, emprenho e estudo de seus colegas de profissão.

Ser um historiador, geólogo, economista, advogado não credencia estas pessoas a serem bons jornalistas porque pura e simplesmente dominam o tema de tal reportagem. Porém, os torna fontes obrigatórias para consulta prévia e esclarecimentos durante o trabalho para todo jornalista que queira fazer um trabalho sério e de qualidade.

Se a colega não soube o que perguntar quando cobria a negociação da dívida externa em NY, lamento informar que faltou estudo prévio e preparo para que tivesse familiaridade com o tema. Hoje, encontro os fatores que derrubaram ou deram suporte ao mercado pela minha dedicação e aprendizado sobre o tema. Ninguém nasce sabendo e ninguém é dono da verdade. E maus profissionais existem em todas as áreas, infelizmente.

Lamento que a mesma não tenha encarado com SERIEDADE a faculdade, uma ótima oportunidade de troca de experiências e aprendizado com quem sabe sim mais do que nós, estudantes (por isso são PROFESSORES). Acho que é bastante fácil e cômodo criticar a obrigatoriedade do diploma com um embaixo do braço. A dificuldade está em justamente ser coerente com suas posições. Afinal de contas, se a pessoa está em um elevado grau de excelência, por que não ingressou no mercado de trabalho sem o tão criticado diploma?

Concluo, por fim, que o que falta aos colegas de profissão que criticam o diploma é humildade por acreditarem que estão em um patamar superior de qualidade no qual não podem absorver conhecimento algum no mundo acadêmico.

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